quinta-feira, 30 de julho de 2009

EVA TODOR por Tati Pereira



Eva nasceu em Budapeste em 09 de novembro de mil novessentos e tal e coisa, de uma família ligado ao meio artístico, começou nos palcos criança, como bailarina.
Aos 12 começa a estudar dança clássica no Teatro Municipal. Foi quando adotou o sobrenome artístico de "Todor" no lugar do Fodor, que não gostava muito.
Aos 14 anos, Eva
estréia como atriz no espetáculo “Quanto Vale uma Mulher”, de Luiz Iglesias.
Eva é judia.
Casou-se 2 vezes, a 2ª com Paulo Nolding com quem viveu 24 anos.
Sente muito sua falta, diz que a vida não tem mais sentido de pois que Paulo morreu por causa de um câncer de pulmão.
Ela se acha depressiva, chata, e não sai muito porque acha que vai encomodar as pessoas.
Não se casaria de novo por nada.
Preferem que a achem simpática do que boa atriz.
Seu talento para os papéis cômicos não demora muito para se revalar.
Era especialista em papéis de moças ingênuas.
No ano de 1940, funda a companhia “Eva e Seus Artistas”, que estréia com “Feia”, de Paulo de Magalhães.
Seu primeiro papel dramático foi em “Cândida”,
que ficou quatro meses em cartaz.
Pela companhia “Eva e Seus Artistas”, que duraria até fins da década de 1950 passaram grandes nomes da cena teatral de então, como André Villon, Jardel Jércolis, Elza Gomes e Henriette Morineau.
O estilo de atriz cômica de Eva seria abandonado em
1966, com a estréia do drama “Senhora da Boca do Lixo”, de Jorge Andrade, sob a direção de Dulcina de Moraes.
No
cinema, Eva estreou em “Os Dois Ladrões” (1960).


Ao lado de Oscarito protagonizou uma das mais célebres passagens do cinema brasileiro, a “cena do espelho”.
Foram 21 trabalhos em telenovelas, minisséries e especiais.
Não gosta e evita palavrões.
Acha o texto "Liberdade, Liberdade" de grande qualidade.
Na época da entrevista morava em Miguel Pereira.
Na entrevista ela fala muito, muito mesmo sobre Paulo Nolding, o que em vários momentos deixa ela monótona.




quarta-feira, 29 de julho de 2009

PAULO AUTRAN por Tati Pereira



Paulo Autran é carioca, nascido em 07/09/1922, quando a independência do Brasil completava um século, e por pouco não se chamou Pedro centenário, que era o nome que seu pai queria para ele.

Seu pai fez carreira na polícia, sua mãe costurava, bordava, tocava piano, aprendeu inglês sozinha.faleceu em 1929, com 35 anos, de parto; Paulo tinha 6 anos e meio. Diz que sentiu sua falta só na adolescência, quando realmente caiu a ficha.

Paulo não tem filhos, e não gosta muito de crianças.Consegue dominar uma platéia de 3,4,5 mil pessoas com uma desenvoltura invejável, porém, quando chega perto de crianças se atrapalha todo.Mas, mesmo assim acha que seria um ótimo pai e um avô exemplar.

Simon comenta que ele estourou bilheterias durante 1 ano com a peça "O Céu tem que esperar", e que mesmo assim não parecia estar contente. Paulo diz: - "Não posso dar pulos de alegria representando para "APENAS" 200 pessoas por dia (super humilde) e ainda ser roubado pelos funcionários do tetaro Villa Lobos."


  • Adora comer rins em restaurante.

  • Todo domingo tinha show na sua casa, sua mãe tocava piano e ele cantava.

  • Conta que uma vez tava em Rio Branco,AC, e quando chegou em seu quarto no hotel tinha uma mocinha que disse quando ele entrou: -"Oi, vim aqui para te ver!" Ele mandou ela embora, e diz que sua presença foi indesejável. Aí Simon pergunta para ele, que se no lugar da moça estivesse no quarto o então candidato a republica Dr Eneas Carneiro, o que ele faria? Paulo disse que falaria "Ih...agora é tarde já votei no Fernando Henrique, e quando ele estivesse saindo eu berrava "Ah! E meu nome é PAAAUULOOO!!! " (kkkkkkkkk)

  • Acha a música essencial ao ser humano.

  • É formado em direito pelo Largo de São Francisco, trabalho 7 anos no seu próprio escritório, mas acha que a faculdade foi um erro lamentável.

  • Adora contar piadas.

  • Foi funcionário publico durante 3 anos, adorou.

  • Ama José de Alencar e aos 13 anos já tinha lido a obra completa de Machado de Assis.

  • Tinha um amigão, Guido, e diz que a mãe dele, Dona Adelaide Cavalcanti foi uma mãezona para ele.Ela tinha uma super biblioteca em casa, livros que ele leu quase todos.

  • Paulo, Guido e Dona Adelaide faziam teatrinhos para a vizinhança e cobravam 200mil réis o ingresso... lotava.(carinho ne?!)

  • Como profissional estreou pra valer mesmo no teatro com Tônia Carrero, na peça "Um Deus dormiu lá em casa".

  • Fala de Ziembinski.... que foi ele quem ensinou a importância de cuidar da iluminação, cenário, som, roupa...

  • Disse que nunca faria o Rei da Vela, "é Terrível!"

  • Fala muito, muito mesmo do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), que diz ter revolucionado o teatro no Brasil. Diz que foi o TBC o gerador, difusor, disciplinador de toda uma concepção moderna de teatro no país.

"Não conheço qualquer outro ator mais brasileiro que eu!"


Paulo Autran


Gostaria de assistir a peça Medéia.... por já tê-la feito e por ter sido através dela que conheci Paulo Autran.


Morreu dia 12 de outubro de 2007.


Um Pouco Sobre DIOGO VILELA por Tati Pereira

Diogo Vilela, ou melhor José Carlos Monteiro de Barros Ribeiro, nascido em 28 de outubro de 1957, no Botafogo, Rio de Janeiro, vem de uma família tranquila, aberta, sem preconceitos.
Na entrevista que dá ao jornalista, ator, radialista, produtor, Simon khoury, em seu livro "Bastidores" da série Teatro Brasileiro, ele conta algumas particularidades de sua vida, fala sobre vários trabalhos que fez, das dificuldades que encontrou na carreira, de como é a convivência com os colegas, dos sonhos realizados e das vontades que tem...
Separei em tópicos as partes mais interessantes e as que mais me chamaram a atenção, veja:
  • José Carlos mudou seu nome artistico para Diogo Vilela por influência de uma tia numeróloga e segundo ele bruxa, porque ela dizia que José carlos era bom pra fins comerciais, ele precisava de um nome que quando anunciado todos identificassem como sendo de um artista.

  • Diogo é budista e dedica 55 minutos do seu dia para seus mantras.

  • Sua melhor amiga é Louise Cardoso

  • Dividiu apartamento com Luiz Fernando Guimarães, e a água e a luz viviam sendo cortadas, ninguém entendia porque, até que o Luiz Fernandodescobriu que aquelas contas que ele rasgava que vinham no nome de um desconhecido, era na verdade o real nome de Diogo. (muito engraçado!!!)

  • O apartamento era frequentado por Regina Casé, Caetano Veloso (chiqueza total), Cazuza, entre outros artistas.

  • Diogo é hiponcodríaco, pensa muito na própria morte, gostaria que o achassem morto em seu apartamento, e quer morrer do coração.Pensa nas manchetes de jornais e do Willian Bonner dizendo: -"Hoje perdemos um grande talento da dramaturgia!" (viaja total!!!)

  • Quando tinha 9 anos começou a desmaiar muito, engordou e ninguém queria acreditar que estava doente.Quando descobriram ele estava com um problema muito sério nos rins, ficou em pré-coma, tinha delirios e ficou 2 anos de cama, internado várias vezes quase morreu.

  • No tempo que ficou doente, foi uma criança solitária, não tinha amigos, não via quase ninguém, nem seus irmãos.Começou a recortar figuras de revistas e montar teatrinho com elas.

  • Diogo Vilela superou seu medo de dirigir com 36 anos, mas raramente sai sozinho, sempre com motorista.

  • Alguns nomes muito citados: Carlos Kroeber, o Carlão, seu grande amigo e companheiro. Vicente Pereira, amigo, companheiro de palco, cuja morte o abalou muito. Ziembinski, que tinha como alguém da família, um pai adotado, e por assim ser, foi muito comentado, pois Ziembinski era homossexual e todos achavam que Diogo era seu caso. Madame Morineau, uma senhora amiga, literalmente, quase sempre se falavam só em francês, acompanhou Madame na sua doençam, atuou com ela e a tem como um icone, admirava nela sua paixão por interpretar.

  • Diogo não gosta de improvisos, nem de cacos, diz assim: -"A palavra deveria ser "cacoete", é como se falasse para o autor que seu texto é um lixo e se não fosse minha colaboração o espetáculo seria monótono."!"

  • A novela que mais gostou de fazer foi Sassaricando, de 1987. Não gostou de fazer O Ateneu, e detestou Gina, de 1978.

  • Fez sua 1ª peça aos 12 anos e a 1ª novela aos 13.

  • Senti uma sinceridade enorme na sua entrevista. Entre todos os seus trabalhos, gostaria muito de ver : "Solidão, a Comédia" ; "Diário de um Louco" ; e por eu já ter representado o principe dinamarquês, "Hamlet"



  • No ano da entrevista (2001) Diogo tinha 44 anos, morava só, estava solteiro e sentia-se realizado profissionalmente.

III FESTEBOM - FESTIVAL DE TEATRO DE BONECOS DE MARINGÁ

PROGRAMAÇÃO

01/08/09 Sábado
10h Desfile de abertura do FESTEBOM com bonecos gigantes.
Ass. Arte Boa Oficina e Teatro de Bonecos- Maringá-PR
local: Av. Brasil; Av. São Paulo. classificação: Livre

03/08/09 Segunda
11h e 15:30h Espetáculo: O carroção de histórias
Companhia: Calçada Di Verso Curitiba-PR
Local: Praça Raposo Tavares Classificação:Livre

03/08/09 - segunda
13:30h
Espetáculo:Show de Bonecos
Cia Fanto Kid’s- Maringá-PR
Local:Praça Raposo Tavares Classificação:Livre

14h e 20h
Espetáculo:Um conto para nossa história
Companhia: Arte & Manha -Guarapuava-PR Local:Teatro Barracão I Classificação:Livre

04/08/09 terça

14h
Espetáculo:Cinco Histórias em Crise
Grupo Pau de Fita- Maringá-PR
Local: Casa da Cultura do Jardim Alvorada Classificação:Livre

14h e 20h
Espetáculo: Cidade Azul
Cia Truks- São Paulo-SP
Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre

05/08/09 quarta
14h e 20h
Espetáculo:Pequenas Coisas
Cia Morpheus Teatro 12- São Paulo-SP
Local: Teatro da UEM Classificação:Livre

05/08/09 quarta
14:30h Espetáculo:Tem história na mala
Cia Manipulando- Maringá-PR
Local: Asilo São Vicente de Paula Classificação:Livre

06/08/09 quinta
08:30h e 10h
Espetáculo: O Beco
Cia Fanto Kid’s- Maringá-PR
Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre
20h
Espetáculo: O trem de ninguém
Cia Simples Suspiro- Curitiba-PR
Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre
07/08/09 sexta
08:30h
Espetáculo: O trem de ninguém
Cia Simples Suspiro- Curitiba-PR
Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre
14h e 21h
Espetáculo Adulto: O incrível ladrão de calcinhas
Incluído na Programação do “Projeto Convite ao Teatro”
Cia Trip Teatro de Animação -SC Local: Teatro Barracão I Classificação:Adulto

20h
Espetáculo: O Beco
Companhia: MAR Ministério de Artes Renascer -Maringá-PR
Local: Teatro Reviver Classificação:Livre

08/08/09 sábado
16h e 20h
Espetáculo: O velho lobo do mar
Cia Trip Teatro de Animação -SC Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre

20h
Espetáculo: O menino que ganhou uma boneca
Cia tipos e caras- Maringá-PR
Local: Casa da Cultura do Jardim Alvorada Classificação:Livre

09/08/09 domingo
16h e 20h
Espetáculo: Vis MotriX
Companhia: Imago Teatro de Animação -Londrina-PR
Local: Teatro Barracão I Classificação:Livre

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Armando Bógus por Roseanne Nascimento


Relatório de História do Teatro
Professora Tadica
Teatro Brasileiro



Armando Bógus nasceu em 19 de Abril de 1930 em São Paulo, mesmo dia em que Getulio Vargas filho de Árabes, perdeu a mãe aos 4 anos de idade, então ele e sua irmã foram morar com o seu tio irmão de seu pai, conta que o pai costumava visitar muito o irmão, por causa do grande afeto e também por sua causa e da irmã.
Quando seu pai se casou pela 2º vez foi buscá-los mas seu tio ficou muito magoado, então decidiram que ele iria para um Colégio interno para ver o que acontecia, no Arquidiocesano lá começava a nascer um grande ator, diz que lá encontrou seu 1º grande amigo o Padre Caroço, conta que uma vez quando saiam para ir para casa no final de semana foi até a zona da cidade, só saiu de lá ao amanhecer, quando ele e o amigo perceberam que atrás deles estavam vindo dois padres da escola, não sabiam o que fazer, foi quando passaram na frente de uma igreja entraram e tiveram que assistir a missa toda, e no colégio depois disso os padres não cansavam de fazer elogios à eles, que eram um exemplo de fé dentro e fora do colégio.
Sua primeira peça de grande sucesso foi o “Alto da Compadecida”, na época nenhum diretor queria fazer, porque era uma peça desconhecida, e nenhum grande ator se interessará por ela, então o diretor foi oferecer a um grupo de novos atores por só eles topariam, e o que ninguém esperava aconteceu, o próprio Ariano Suassuna estava presente no dia da estréia, depois disso ficou fácil, alega nunca ter que pedir uma oportunidade, sempre eram oferecidas.
Diz que não concorda com os ensaios de mesa, e estudo da personagem, acha tudo isso perca de tempo, e que brigou varias vezes,
Com Ademar Guerra que acabou sendo o diretor com quem mais trabalhou, sobre alguns posicionamentos, diz também que apóia Procópio Ferreira que rasga o texto e da a cada ator somente a parte em que entra em cena, acha que não importa o que aconteceu à personagem durante a infância e que o ator não tem que estudar sobre a época em que se passa o espetáculo, isso é função do diretor, o ator deve somente subir em cena com o texto decorado e passar a emoção que esta dentro de si, dá o exemplo “se a personagem perde a mãe a única coisa que ele precisa saber é se ele gostava da mãe ou não, se gostava vai chorar muito, se gostava mais ou menos, vai chorar mais ou menos e se não gostava vai rir muito”
O que mais o deixou chateado nos últimos anos no teatro foi a morte de Dina Sfat, e o patrulhamento ideológico que fizeram em cima da Marilha Pêra, aquela multidão do PT passando em frente ao teatro onde ela estava se apresentado gritando “Marilha Pêra colloriu vá pra puta que pariu”! Ninguém tocou nela, nem chegaram a invadir o teatro, mas teve que ficar detida 2 horas até a multidão se acalmar e ir embora.
Gostaria de fazer um espetáculo com Gianfrancesco Guarnieri com ele mesmo em um dos papeis, e declara “Não posso ser feliz se meu povo não é feliz. Agora o que é felicidade? A felicidade é você poder aproveitar dos momentos bons, e isso eu soube fazer muito bem”.
Armando Bógus morreu em 2 de maio de 1993 aos 63 anos.

Tônia Carrero por Roseanne Nascimento


Relatório de História do Teatro
Professora Tadica
Teatro Brasileiro




Conta que sempre quis ser cantora, por isso cantava para seu filho Cecil que era a sua única platéia,e afirma se divertir quando ele chorava e pedia para parar pois a musica era muito triste, mas ela não parava. Casou-se muito cedo com o seu primeiro namorado o Carlos Thiré e aprendeu muito com ele sendo um ótimo ator e diretor teatral, influenciou muito na sua carreira.
Na adolescência gostava de provocar sua mãe que era muito tradicional, então ela usava maquiagem forte, roupas extravagantes criando uma personalidade que não era a dela.
Quando foi para a França acompanhando seu marido em um trabalho, diz que para não ficar sem fazer nada entrou em um curso de Teatro que teve duração de seis meses, foi aí que ela se apaixonou, cont6a também que se tornou uma grande fã do Ziembisnki e que quando foi fazer um teste para o espetáculo o Anjo Negro de Nelson Rodrigues, ele a encarou com uma tremenda indiferença e quando subiu no palco ele gritou na frente de todos,”Essa garota não” afirma que depois dessa teve muitas outras recusas na carreira, mas nunca desistiu, Fez um curso na França onde todos os matriculados do curso eram refugiados da guerra pessoas com uma carga emocional muito grande, enquanto ela não tinha passado por nada muito triste na sua vida, todos a olhavam com indiferença como se fossem de mundos diferentes, e tinham razão, enquanto eles subiam no palco e faziam todos chorarem com seus exercícios toda a vez que ela subia no palco todos acabavam rindo e se divertindo muito, o que era uma coisa boa já que estavam todos tão tensos, no final o professor a chamou na sala dele e disse que ela procurasse outras, formas de manifestações artísticas, por que atriz ela não seria nunca, claro que ela não desistiu mas confessa ter saído dali muito decepcionada, diz que todas as vezes que ia tentar um papel por menor que fosse, sempre alguém dizia que ela tinha um rosto muito bonito e que era melhor aguardar um oportunidade melhor, mas ela sabia que se não começasse por baixo jamais chegaria a ser alguém.
Revela a sua paixão por Paulo Autran e que na época ele era um advogado recém formado e que não queria largar a carreira pelo teatro, ela disse que só faria o espetáculo se fosse com ele, e ele por sua vez cobrou um cachê absurdo para ver se ela desistia, mas ela abriu mão do seu próprio só para ficar do lado dele.
Fez muitos filmes, e peças de teatro alguns de grande sucesso mas sempre com muita dificuldade.
Ela fala muito, muito de Paulo Autran e assume que teve um caso com ele durante seu 1º casamento.
No 2º conta que se sentiu sozinha de verdade quando se separou, pois não aceitava o fato de seu esposo tê-la deixado, desfilava com vários rapazes lindos na frente dele mas era só para tentar provocar uma reação, sem sucesso.
No 3º e ultimo tornou a se separar mas não teve todo esse sofrimento, mesmo porque foi ela que pediu a separação.
Afirmou que gostou mais de si própria entre os 40 e 55 anos, que é quando estava no auge de sua carreira e sua vida pessoal, mas diz que agora é que tem uma percepção maior das coisas, uma maturidade maior.

terça-feira, 14 de julho de 2009

TEATRO DE RUA

O teatro de rua, uma das manifestações mais antigas de cultura popular, traz na bagagem séculos de histórias e influências que vão dos folguedos do Nordeste às máscaras dos espetáculos medievais


É permitido comer e beber durante o espetáculo, dá para sair no meio e até para contracenar com os atores. Só não vale achar que teatro de rua é menos teatro só porque à primeira vista pode parecer pouco planejado. Pelo contrário. São séculos e séculos de tradição nessa que é uma das mais antigas manifestações populares. O próprio teatro originou-se na rua, ou quase isso. “O surgimento do teatro se dá no espaço público”, explica o professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas (Unicamp), Rubens José Souza Brito, participante do Três Vezes Rua, evento que reuniu debates, aulas-espetáculo e oficinas como parte do projeto Reflexos de Cenas, do Sesc Consolação (veja boxe Nas ruas da cidade). “Não podemos falar exatamente em rua, que ainda não existia; sem dúvida, ele nasceu no seio da comunidade, antes mesmo do estabelecimento do teatro grego. Mas é como a história do leite: a criança que nasce e cresce na capital acha que ele vem da caixinha.”

O conceito de teatro de rua, como o conhecemos hoje, é marcado por uma intenção explícita de criar encenações para ser apresentadas no espaço público. Essa é sua principal característica. “Acabamos encontrando vida eterna no teatro que se faz nas ruas ou em qualquer outro lugar onde a platéia seja formada pela diversidade humana, sem as divisões que a estratificação social quer ter”, comenta o encenador Amir Haddad. “É o antigo mundo novo revisitado. O melhor ator dos palcos pode quebrar – e quebra – a cara na rua. Assim como o cenógrafo e o dramaturgo”, conclui. Ao longo da história, com o surgimento do que os especialistas chamam de edifícios teatrais – ou seja, as casas de espetáculos, das mais variadas formas e tamanhos –, a rua consolidou-se como uma escolha, e não necessariamente uma ausência de alternativa, como muitos podem pensar. “O compromisso que a gente tem com o teatro de rua não é uma falta de opção, muito pelo contrário”, afirma o ator e diretor João Carlos Andreazza, ex-integrante do grupo de teatro Fora do Sério.


Celeiro nordestino
O primeiro registro de teatro de rua contemporâneo no Brasil data de 1946, uma iniciativa que envolveu nomes como Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna. A partir desse momento, a história de tal manifestação encontra parada obrigatória também em 1961, com a criação do Movimento de Cultura Popular (MPC), em Pernambuco – por Paulo Freire e o próprio Suassuna, entre outros –, e pelo surgimento, no mesmo ano, do Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro, capitaneado por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha. Além destes, há o aparecimento do Grupo Tá na Rua, de Amir Haddad, e do Ventoforte, de Ilo Krugli, em 1974, também no Rio – o grupo de Ilo Krugli se mudaria, em 1981, para São Paulo, onde está até hoje –, e a criação, em 1976, do Grupo de Teatro Mambembe, numa iniciativa do Sesc São Paulo, por meio da unidade Consolação, com direção de Carlos Alberto Soffredini. Esse trabalho demandou oito meses de pesquisa em fontes fundamentais para o teatro de rua, com destaque para o circo-teatro – formado por companhias de artistas autodidatas que percorriam a periferia das grandes cidades em pavilhões de lona – e culminou na superprodução Dom Quixote de la Mancha, uma adaptação da obra de Miguel de Cervantes, com 16 atores no elenco, figurinos que misturavam influências do circo-teatro e da commedia dell’arte – gênero surgido na Europa no século 6º, famoso pelo uso de máscaras que identificavam os personagens – e uma platéia que chegava a 2 mil pesoas, segundo o professor Souza Brito.


Todas as linguagens
Entre as influências na estética do teatro de rua, além da já citada commedia dell’arte, é forte a presença da exuberância visual do circo tradicional e a incomparável habilidade de comunicação de manifestações populares como o maracatu – folguedo nordestino, sobretudo da região de Pernambuco. “É possível usar várias formas de linguagem no teatro de rua”, explica o ator e diretor João Carlos Andreazza. “A da commedia dell’arte, por exemplo, é interessante porque o figurino e as máscaras identificam rapidamente para o público passante o tipo de personagem que está sendo desenvolvido durante a encenação. O que é muito importante, uma vez que no teatro de rua o público não necessariamente acompanha a peça toda.” Andreazza explica ainda que outra particularidade do gênero é o uso de códigos não verbais. Por exemplo: gestos da mímica no lugar de palavras e até as circenses pernas-de-pau, que servem para fazer a personagem crescer em cena, literalmente. “Essas linguagens são muito atrativas para o público e importantes para o ator de rua”, afirma.

O professor Rubens José Souza Brito acrescenta que o figurino também merece atenção especial. “As cores, o tecido, tudo é importante”, explica. “E isso é bebido também nas fontes de vários eventos da cultura popular. Por exemplo, o vilão entra de preto, a mocinha de cor-de-rosa, a ‘mãezona’ popular entra com vestido de chita todo colorido.”


Proximidades
Os papéis de público e atores também sofrem interessantes mudanças no teatro de rua em relação ao encenado no edifício teatral. A ausência do palco aproxima os lados, enquanto o tom de constante intervenção permeia as apresentações. Afinal, se por um lado um espetáculo pode mexer com o cotidiano da cidade e seus transeuntes, por outro esses mesmos passantes podem – e vão – intervir nas cenas. “Não raro alguém ‘invade’ a história e começa a participar dela”, conta Marcos Pavanelli, do Núcleo Pavanelli de teatro de rua. “Alguns querem mesmo participar da cena, e a gente deixa, claro que tentando conduzi-lo até um determinado limite para não atrapalhar a apresentação. O que ocorre muitas vezes é que a pessoa quer chamar a atenção também, então é só você dar a ela a oportunidade, que depois ela se sente satisfeita e até nos ajuda a controlar os mais empolgados, tomando conta da roda.”
Esse movimento, por sua vez, contribui para a relação do cidadão com a cidade, uma vez que, quando um indivíduo assiste a um espetáculo na praça, ele está também usufruindo um espaço público de convívio urbano. “Partindo de uma reflexão de Hannah Arendt [teórica política alemã que viveu de 1906 a 1975], o espaço público é constituído pelo discurso e pela ação”, afirma o diretor Dorberto Carvalho, também presente no evento do Sesc. “Ou seja, é a convivência de todos numa praça ou mesmo nas ruas que faz com que elas sejam efetivamente de todos. E o teatro de rua é um dos instrumentos para isso.”


Nas ruas da cidade - Atividades nas unidades Consolação, Pinheiros e Santo Amaro colocaram em foco as diversas faces do teatro
O mês de maio foi todo dedicado ao teatro de rua nas unidades do Sesc São Paulo. No Sesc Consolação, o evento Três Vezes Rua – realizado como parte do projeto Reflexos de Cenas – promoveu debates e palestras, ofereceu aulas-espetáculo e oficinas, e apresentou intervenções artísticas e espetáculos que, juntos, reuniram alguns dos mais conceituados nomes do gênero, como os dos diretores Amir Haddad e Alexandre Roit (na foto em cena da peça Pelada na Rua), e os grupos Tablado de Arruar e Teatro de Anônimo. Já a programação do Sesc Pinheiros destacou a pesquisa teatral, a interação com o público e a transformação do espaço cênico – algumas das principais características do teatro de rua – com os espetáculos As Bastianas, da Cia. São Jorge de Variedades, A Revolta da Chibata, do Teatro Popular União e Olho Vivo, e Reis da Fumaça, da Companhia do Feijão. Por fim, no Sesc Santo Amaro foi a vez de os grupos de teatro locais mostrarem sua arte no evento Ensaio Geral, que pretende futuramente contemplar outras manifestações artísticas, como a dança, a música, as artes plásticas e a cultura digital.


Político desde os primórdios - O teatro de rua sempre foi uma das manifestações preferidas para protestar por meio da arte
A ligação do teatro de rua com manifestações de caráter político e social é antiga. No século 20, o namoro vem desde as primeiras décadas, quando grupos de artistas revolucionários russos saíram às ruas, após a vitória bolchevique de 1917, para difundir e fazer propaganda de suas idéias sociopolíticas. Os ecos dessas manifestações, que receberam o nome de agit-prop – do russo agitatsiya-propaganda (agitação e propaganda) – foram ouvidos aqui no Brasil primeiramente no Nordeste, por um grupo de artistas e intelectuais do porte de Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho e Paulo Freire, entre outros, que criaram, em Pernambuco, o Movimento de Cultura Popular (MCP) em 1961. Embora Suassuna já tivesse protagonizado, junto com Borba Filho, a primeira iniciativa de teatro de rua no Brasil em 1946, foi só dessa vez que essa manifestação artística apareceu como instrumento para mudanças sociais. “O MCP levava para a periferia da capital pernambucana várias ações educacionais, artísticas e até de saúde”, explica o professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas (Unicamp) Rubens José Souza Brito. “Essas atividades envolviam artesanato, artes plásticas, cinema, música, canto, dança, literatura e, por fim, teatro, que se chamava Teatro do Arraial Velho. E, além dele, havia também o Teatro do Povo, que atendia o entorno da cidade.” No mesmo ano de 1961, a MCP inspirou a criação do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigido por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha. “O CPC era famoso por levar às ruas assuntos atualíssimos da política nacional”, explica o diretor de teatro Dorberto Carvalho. “E se eles fossem às ruas num dia e a polícia os tirasse de lá, à força muitas vezes, na semana seguinte eles estavam de volta com uma peça sobre o confronto ocorrido.” Em 1964, com o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, o CPC foi dissolvido, entrando para a história como o grupo-símbolo da união dos conceitos de teatro de rua e teatro de resistência.